Indesejado, telefone fixo vira uma imposição

Consumidores se queixam da exigência de linhas residenciais para contratar outros serviços

Serviço que já foi objeto de desejo, o telefone fixo vem perdendo relevância com o desenvolvimento da telefonia celular. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, em 2016, 23,321 milhões (33,7%) de lares tinham telefone fixo, dois milhões a menos do que em 2003, quando eram 25,424 milhões as linhas residenciais em uso no país, sendo encontradas em 50,8% das casas dos brasileiros. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em 12 meses fechados em abril, houve redução de 1.045.959 de linhas fixas.

E ao que tudo indica esses números poderiam ser ainda menores, não fosse a política das operadoras de impor telefones fixos aos consumidores na hora de fechar os famosos combos. Casos como o do jornalista Leandro Rezende, assinante de um plano de internet de 35Mbps de velocidade, que recebeu uma ligação da TIM dizendo que teria que mudar para um de 40Mbps, que lhe dava direito a uma linha fixa ilimitada, “pagando apenas mais R$ 15”. Rezende argumentou que não tinha interesse na linha e perguntou se não teria um outro pacote que o atendesse. A resposta, no entanto, foi negativa:

“O meu plano de 35Mbps me atendia perfeitamente, e para mim não tem nenhuma utilidade uma linha fixa. A pessoa que me ligou acrescentou que, mesmo que eu não usasse, a linha estaria à minha disposição. Só que não quero um telefone em casa, e muito menos pagar mais por isso”.

Mesmo trocando de Oi para Vivo, Daniela Pacheco conta que não conseguiu se livrar do “indesejado” telefone fixo ao contratar a internet:

“Em ambas as operadoras, contratar o pacote de internet sem o telefone fixo ficava mais caro. Aqui na minha cidade, para fugir da contratação da linha residencial, muita gente acaba optando pela internet por rádio”, afirma Pacheco.

Na casa do engenheiro Rodrigo Guedes não há sequer um aparelho ligado na linha do NET Fone disponibilizado pelo pacote da operadora. Assim como Daniela, a contratação foi feita apenas para garantir o melhor preço.
“Foi obrigatória a contratação da linha fixa para obter a melhor tarifa”, reclamou.