Ferraço: “mudança de planos é imoral e ilegal”

Senador se mostra cada vez mais indignado com a manobra que tira a instalação de nova ferrovia do Estado

O anúncio do investimento para a construção da Ferrovia Integração Centro-Oeste (Fico), ligando a região do Araguaia à Ferrovia Norte-Sul, em detrimento da construção da ferrovia entre o Porto de Tubarão e o Porto de Presidente Kennedy, foi abordado pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB) durante sua passagem pela Assembleia Legislativa nesta segunda-feira (9).

Ferraço projetou um vídeo no qual o presidente Temer (MDB), na inauguração do Aeroporto de Vitória, em março, faz promessa explícita de que a ferrovia ligando Tubarão, na Serra, à Presidente Kennedy, no sul do estado, seria construída.

“Eu quero fazer uma comunicação, nós não somos de prometer, somos de entregar, como estamos fazendo agora (referindo-se ao aeroporto). Mas vou ousar fazer uma promessa. A promessa de mandar agilizar todos os estudos e todas as medidas necessárias para esse ramal ferroviário que vai até o sul”, disse o presidente da República na ocasião.

A indignação do senador diante da mudança dos planos do governo federal levou políticos capixabas a buscarem diálogo e convencimento, segundo Ferraço, na expectativa de que o bom senso prevaleça. Ele lembrou que o Espírito Santo não está sozinho.

Conforme revelou, o Pará se sente prejudicado pelo o investimento na Fico, pois também será renovada cocessão da Ferrovia de Carajás. O ES e o Pará são os maiores exportadores de minério do Brasil e juntos escoam aproximadamente 2/3 da commodity, segundo o senador.

Para ele, a mudança de planos é “imoral e ilegal e que atenta contra os interesses do Espírito Santo”, e, de acordo com sua opinião, considera a Vale beneficiada pela alteração, uma vez que é de responsabilidade da empresa construir a ferrovia do Centro-Oeste. “Estamos falando também claramente com a Vale”, disse. “Ela está sendo muito covarde”, frisou.

Ricardo Ferraço disse que acionou o Tribunal de Contas da União (TCU). Por outro lado, apelou para a união dos capixabas em torno da questão e sugeriu que seja formalizado um posicionamento sobre o tema. “Fazer um grande movimento que pudesse contar com todos os nossos partidos, acima das divergências políticas. Estamos em meio de um conflito muito forte e a Assembleia pode ajudar”.