Deputados na bronca contra manobra que pode prejudicar o Estado

Parlamentares criticaram acordo entre União e Vale que retira do ES recursos negociados em 2016

O acordo do governo federal com a Vale para transferir os investimentos para construção de ferrovia na região Centro-Oeste, e não mais no Espírito Santo como tinha sido anteriormente negociado, indignou a maior parte dos deputados estaduais durante a sessão ordinária desta terça-feira (3).

Em novembro de 2016, o presidente Michel Temer (MDB) em reunião com a bancada federal capixaba autorizou a construção de uma extensão da ferrovia Vitória-Minas, ligando o porto de Tubarão até Presidente Kennedy, no sul do Estado. O novo modal ferroviário seria uma condicionante do edital de nova concessão da ferrovia Vitória-Minas, controlada e operada pela Vale. O contrato de concessão atual se encerra em 2026. No entanto, segundo o senador capixaba Ricardo Ferraço (PSDB), o executivo federal se reuniu com representantes da Vale na última sexta-feira (29) e propôs que, para renovar antecipadamente a concessão Vitória-Minas, a empresa construa uma nova ferrovia na região Centro-Oeste, e não mais no Espírito Santo.

 

Enivaldo dos Anjos (PSD): “A transferência é de interesse da Vale, que deixa o Espírito Santo apenas com o pó preto”

Repercussão

O deputado Da Vitória (PPS) acredita que a decisão do governo federal de levar a ferrovia para o centro-oeste é uma retaliação do governo federal. “Essa é uma notícia triste para o cidadão capixaba. Mais uma vez o Espírito Santo é deixado de lado. O Estado não recebe os investimentos que deveria receber do governo federal. Isso porque falta liderança por parte do governo do Estado e sobra arrogância. A ausência do governador na inauguração do aeroporto pode ter causado essa retaliação”, declarou.

Já o deputado Enivaldo dos Anjos (PSD) responsabiliza a Vale pela mudança da ferrovia. “Um assunto de interesse do Estado se transforma na Assembleia em questão partidária. Ao invés de nos aprofundarmos no assunto, tem quem prefira culpar simploriamente o governador por causa de sua ausência na inauguração do aeroporto. A transferência da ferrovia é de interesse da Vale, que deixa o Espírito Santo apenas com o pó preto e transfere os investimentos para outras regiões do país. Temos de formar uma comissão para saber da Vale por que ela tira do Espírito Santo o que prometeu por estar há anos aqui com isenções de impostos, acumulando benefícios e poluindo com o ar com pó preto, sem tomar nenhuma providência”, afirmou.

 

Para Rodrigo Coelho (PDT), número de deputados do Estado no Congresso é um obstáculo para as discussões com a União

 

O líder do governo na Assembleia, deputado Rodrigo Coelho (PDT), declarou que o número de parlamentares capixabas no Congresso Nacional dificulta as negociações com o governo federal. “A realidade é que nossa bancada é frágil, não pela qualidade dos nossos parlamentares, mas pela quantidade de deputados que temos dada nossa proporção. Por isso, a compensação pela atuação da Vale acontece em outros estados e não aqui.

A mudança séria vem quando todos nos unimos e lutamos pelo mesmo objetivo. A responsabilidade é de todos nós. Não dá para transferir essa responsabilidade ao governador, pois o governador Paulo Hartung sempre foi uma liderança que lutou pelos interesses do Espírito Santo”, ressaltou.

A deputada Janete de Sá (PMN) sugeriu que o assunto fosse debatido com representantes da Vale. “Não é a primeira vez que o Espírito Santo é prejudicado pelo governo federal, um governo ilegítimo que não atende os interesses da sociedade. O Espírito Santo é pequeno e conta com apenas dez deputados federais. Por isso, ao invés de tentar buscar culpados, devemos nos unir. É inadmissível que a Vale cause problemas ambientais e sociais para o Espírito Santo, que os impactos fiquem aqui e os investimentos não. Temos de chamar a Vale para discutirmos essa situação e para que ela se posicione”, concluiu.