Crescem contratações de profissionais acima de 40

Em quatro anos, postos de trabalho ocupados por profissionais maduros no ES subiu de 41,1% para 45,9%

De um lado, pessoas jovens, descoladas e superconectadas. De outro, maturidade, experiência e muita bagagem. No meio, o mercado de trabalho que até pouco tempo atrás mudou sua percepção com relação aos profissionais com idade acima dos 40 anos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Espírito Santo, as pessoas de 40 anos ou mais de idade eram, no 1º trimestre de 2012, 41,1% dos ocupados. Em 2018, a proporção subiu para 45,9%.

O que mais chama atenção, no estado, é que, na comparação entre o mesmo período de 2017 e 2018, enquanto há uma manutenção na redução do total de pessoas trabalhando no país (-0,4%), é possível perceber um aumento entre os ocupados de 40 anos ou mais de idade (+0,9%). Aumento puxado, sobretudo, pelos trabalhadores com idade maior que 60 anos.

Para o economista André Brizola, o crescimento da contratação de profissionais mais velhos ainda é tímido, mas está associado a uma perda maior de postos de trabalho entre os mais jovens. “A maior parte das pessoas que perderam emprego nos últimos anos era jovem. Para as empresas, juntou a fome com a vontade de comer. A depender da função, um salário com menos plano de carreira afugenta o jovem, mas não sênior. Ele só quer ser produtivo”, analisa.

Contratado há três meses, o repositor de peixaria de um supermercado de Vitória, Marcelo Lima, 51 anos, estava há três anos sem trabalhar. “Eu era administrador de condomínios. Pela dificuldade da conjuntura atual era muita falta de contrato e aí fiquei esse tempo desempregado. Passei por diversas funções, então, eu tenho essa bagagem comprovada. É só pegar o ritmo”.

Ainda de acordo com ele, outra característica foi determinante para sua contratação: “O jovem não tem muita paciência. A gente tem esse traquejo, esta percepção. A empresa que não enxerga isso, perde um funcionário disposto a trabalhar, que está ansioso para voltar ao mercado e dar o seu melhor”.

E Marcelo tem razão. Para a supervisora de carreira Solange Maia, ainda existem outras vantagens que o mercado de trabalho tem valorizado. “Grande parte destas pessoas também pode assumir cargos e demandas de jovens (que precisariam de treinamento), elas compartilham o conhecimento com os mais novos e têm menos necessidade de ficar mudando de emprego como os mais novos, porque já estão em outra fase da carreira”, avalia.

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