Casagrande deseja aumentar a competitividade do Estado na região sudeste

Governador eleito acredita que este é o maior desafio do Espírito Santo nos próximos anos. Declaração foi dada num encontro com empresários

O ajuste das contas públicas e a modernização da gestão dos estados foram os temas discutidos pelos governadores eleitos Renato Casagrande (Espírito Santo), Romeu Zema (Minas Gerais), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Wilson Lima (Amazonas) durante evento com empresários realizado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC) ontem (5). Também estiveram presentes o atual governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg e o atual governador do Espírito Santo, Paulo Hartung.

Enquanto estados vizinhos como Minas e Rio de Janeiro estão endividados, a situação no Espírito Santo é oposta: o estado foi o único a receber avaliação máxima do Tesouro Nacional em relação às contas públicas, motivo que fez o atual governador Paulo Hartung ter sido chamado para prestar assistência tanto a Romeu Zema quanto a Eduardo Leite.

O futuro governador Renato Casagrande (PSB) afirmou que espera do presidente eleito Jair Bolsonaro o mínimo em relação ao estado. “Não estou com expectativa nem de recursos federais, mas que neste primeiro ano ele cumpra aquilo que é obrigação dele. Isso inclui descentralizar serviços, assim como a gestão na área portuária do estado”, disse.

Diferente de outros estados, Casagrande afirmou que o Espírito Santo tem capacidade de aumentar a infraestrutura do estado através de recursos próprios. “Não podemos ser tímidos nesta área. Precisamos ter muito controle nos gastos de custeio de pessoal. Vai ter política de aumento de parceria com o setor privado, não em privatizações.”

Apesar de enfatizar a redução de custos com pessoal, o governador eleito garantiu que haverá “racionalização da máquina pública, mas não corte de pessoal”. Para isso, solicitou que a Assembleia capixaba não vote o orçamento apresentado pelo atual governo, mas sim o que deve ser entregue por Casagrande no início de 2019. “Isso é para tirar qualquer expectativa de aumento de despesa com pessoal. Mesmo que a gente compreenda que possa ter crescimento econômico, não sabemos quanto tempo vai durar”.

O texto atual prevê um aumento de custeio em 16% e investimento de R$ 1,5 bilhão. Para Casagrande, “não se realizará. É essa realidade que exige que possamos fazer ajuste no orçamento, que aponta em salário de servidor”.

O futuro governador acredita que o maior desafio do estado, com expansão prevista para os próximos anos, é aumentar a competitividade no sudeste. “Somos quatro milhões de pessoas na região. É um estado com baixo poder de consumo. Temos que entrar em um ciclo de investimento de infraestrutura e serviços públicos de qualidade. O Espírito Santo ainda se caracteriza por uma economia de importação de commodities”.