Cartão de crédito e Cheque Especial são causas de endividamento em Vitória

Número de famílias endividadas capixabas cai quase 10% em comparação com 2017

Após dois recuos consecutivos, o endividamento das famílias de Vitória, que oscilou ao longo de todo ano de 2018, voltou a subir em outubro. Porém, em comparação com o mesmo mês de 2017, resultados apontam que o endividamento ficou 9,7 p.p. abaixo, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo (Fecomércio-ES).

A inadimplência das famílias de Vitória que vinha numa trajetória de queda por quatro meses seguidos obteve uma alta de 3,2 p.p. em outubro. A proporção daquelas que declararam ter pelo menos uma conta ou dívida em atraso de pagamento ficou em 44,9% do total de famílias de Vitória. Considerando a inadimplência apenas entre os endividados, 65,2% afirmou que tem pelo menos uma atrasada. O percentual das famílias cuja expectativa é de que não tenham condições de pagar suas dívidas em atraso no próximo mês caiu para 10,8%.

O endividamento das famílias voltou a crescer em outubro acompanhado pelo aumento da inadimplência. Mesmo com alguns indicadores mais favoráveis na economia, como juros e inflação, a inadimplência continua elevada, pois a recuperação econômica segue lenta e ainda não há impacto considerável no mercado de trabalho.

Segundo o presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri, a expectativa é de que, as vendas do Natal e final de ano sejam melhores que no ano passado, após apresentar resultados negativos nos últimos três anos consecutivos. “Essa estimativa poderia ser melhor, mas o baixo dinamismo da atividade econômica em 2018 impossibilitou avanços no mercado de trabalho, que segue como o maior desafio na busca pela recomposição da renda familiar”, explica.

O cartão de crédito, que já havia aumentado sua representatividade em setembro, cresceu fortemente como o principal tipo de dívidas das famílias da capital, passando de 49,1% em agosto para 63,7% em setembro e em outubro chegou a 85,6%. O crédito pessoal e os carnês que prevaleceram por um bom tempo como principal tipo de dívida tiveram sua participação bastante diminuída. Outra modalidade que chamou atenção pelo crescimento foi o cheque especial que passou de 29,2% para 47,3% de representatividade nas dívidas das famílias.

Porém, Sepulcri acredita que os consumidores devem aproveitar o 13º salário para renegociar suas dívidas e quitarem débitos e, assim, liberar o crédito para novas compras. Além disso, Sepulcri acrescenta que uma boa alternativa para renegociar as dívidas são as vagas temporárias de emprego. “Outra questão que deve contribuir são as ofertas de vagas de trabalho temporário que são uma oportunidade de entrar no mercado de trabalho”, comenta.