“Vivendo pesadelo”, diz repórter que agrediu vizinho

Rodrigo Maia ainda conta que recebe ameaças de morte desde o dia da agressão e que não retorna ao prédio por medo

Rodrigo Maia, repórter da Rede Gazeta, deu explicações sobre o vídeo em que ele aparece agredindo o aposentado Nildo Ferreira, de 69 anos, com socos e pontapés. O caso aconteceu na terça-feira (18), em uma briga iniciada dentro do elevador do condomínio em que eles moram na Praia do Canto, em Vitória.

Ele afirma que, desde o início do ano, recebeu inúmeras cartas de Nildo com reclamações de marretadas na parede, que ele nega que tenha feito, e que foi ameaçado pelo vizinho. O jornalista registrou três queixas contra o aposentado na delegacia e o caso foi parar na Justiça. A primeira audiência de conciliação aconteceu em novembro.

“Comecei a viver um filme de terror porque todas as vezes que chegavam do trabalho, ou tinha uma carta ou uma notificação judicial. Estou vivendo um pesadelo. Sou jornalista, repórter e hoje eu sou a notícia”, disse ele em entrevista concedida na emissora, na tarde desta quinta-feira (20).

O jornalista afirmou que o idoso mencionou ter uma faca para matá-lo. “Pra mim ele é um psicopata, que começou a correr atrás de mim. Tem algum desvio de personalidade”, disse o repórter.

“Eu nunca tinha brigado na minha vida, nunca bati em ninguém. As pessoas que me conhecem sabem quem eu sou. Nunca tive inimigos, nunca tive alguém que quisesse me matar. Comecei a agir de legítima defesa. Foi uma briga rápida, a todo momento ele continua me xingando de filho da puta e viado.”

Em entrevista ao Gazeta Online, Nildo contou que foi agredido muitas vezes, gritou por socorro e achou que fosse morrer.

“Ele me puxou pra fora do elevador com chutes, pontapés, por três vezes eu fiquei desacordado e ele me batendo, como se estivesse batendo num cachorro morto. Ele disse que estava possuído por três demônios e que ele estava naquele momento ali pra me matar”, contou o aposentado.

“Senti muito sangue saindo porque quando ele mordeu a orelha eu perdi a ação. Não tinha nem como reagir a qualquer luta corporal porque perdi as forças… Ele cuspiu no meu rosto várias vezes.”

 

 

Depressão

Rodrigo contou que o vizinho comentou que estava com depressão e síndrome do pânico e tomava remédio para o tratamento. Em alguns momentos, o aposentado anexava seu receituário nas cartas de reclamações.

O jornalista passou a desconfiar que Nildo estava tomando uma dose mais alta da medicação e, por isso, ouvia barulhos que não existiam. Antes da briga, o repórter disse que tentou conversar com o vizinho várias vezes e até o levou ao seu apartamento para mostrar que a parede estava intacta e provar que ele não dava marretadas.

O filho de Nildo disse que desconhece que o pai tenha depressão ou síndrome do pânico. “Nada justifica tal agressão”, falou Filipe, que afirma que quer ver o agressor do pai preso.

Rodrigo falou que após a briga, Nildo foi levado para o hospital e ele foi direto para a delegacia, onde prestou depoimento por horas.

Dois dias fora de casa

“Ele chegou lá com a cabeça enfaixada e falou: ‘Você sabe que esse momento ou eu ou é você’. Estou fora de casa há dois dias porque estou recebendo ameaças de mortes, inclusive dos filhos dele”, disse o jornalista.

“Estou sabendo que são imagens realmente fortes. Não estou aqui pra justificar, em algum momento todo mundo acaba perdendo a paciência. Eu estou correndo risco, sei.”

De acordo com a assessoria da Polícia Civil, o caso foi registrado na Delegacia Regional de Vitória, na última quarta-feira (19), como lesão corporal. “O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso. Outras informações não serão passadas, no momento, para não atrapalhar as investigações”.

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