Imperatriz do Forte se veste de azul para falar da água e de crenças

Campeã do Grupo de Acesso em 2018 abriu os desfiles da elite do carnaval capixaba

A campeã do Grupo de Acesso em 2018 abriu a noite de desfiles deste sábado (23). Com o tema “Navegando nas correntezas da História, a Imperatriz vem vestida de azul”, a Imperatriz do Forte se apresentou com o enredo sobre a água, cantando a importância dos rios e mares para os povos e sua influência em várias religiões, desde a Grécia Antiga até as crenças indígenas e de origem africana.

A escola também lembrou o caso do rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, com componentes cobertos de lama e carregando a faixa “Nenhuma vida vale mais que dinheiro”.

 

 

Com 22 alas e cerca de 1,4 mil componentes, a Imperatriz do Forte agitou as arquibancadas. Pela primeira vez na harmonia da escola, Anny Gabriely de Oliveira, de 20 anos, criada no Forte São João, era pura ansiedade. “Já fui porta-bandeira mirim da Imperatriz. É uma sensação maravilhosa estar presente desfilando no sábado de Carnaval. Não tem explicação. Tenho muito orgulho da minha escola”.

O diretor de harmonia, Anderson Gobbi, explicou que a escola é só superação. “Este ano é um ano de superação e muita garra para todos, pois subimos do Grupo de Acesso. A comunidade abraçou toda a escola. Viemos com muita emoção”.

 

 

Há 15 anos desfilando pela Imperatriz, mas pela primeira vez como destaque na escola, Rafael Silva de Jesus, não escondeu a emoção: “É uma emoção que não cabe no peito. Este ano promete ser ainda mais especial para todos. Queremos ser campeões”.

Bete Pares, de 68 anos, estava bem animada. “É a primeira vez que desfilo na Imperatriz. Mas todo ano juntamos um grupo de amigos de trabalho e desfilamos no sábado”.

 

Alegorias e enredo

O primeiro carro alegórico e as primeiras alas contaram as histórias das religiões antigas que acreditavam em deuses e titãs, como Oceano e Tétis.

A Imperatriz do Forte também abordou diversos deuses pagãos e os principais rios de cada região, como o deus Baal e os rios Tigre e Eufrates, da Mesopotâmia, Hapi e Isis no rio Nilo, do Egito Antigo, Ganga e Shiva no rio Ganges, na Índia, Netuno e Poseidon, na Grécia e Roma Antiga, os deuses indígenas que protegiam as águas em cabaças, e os deuses africanos Nanã, Oxum e Iemanjá.

 

 

A escola também mostrou como a água também é usada como caminho para a exploração, trazendo para Brasil tanto os portugueses quanto os povos escravizados da África, e mais tarde sendo utilizada na busca do ouro, nas minerações, pecuária e desmatamento.

O último carro e as últimas alas procuraram deixar mensagens de esperança, lembrando a Profecia das 13 Avós, que, segundo as histórias indígenas, afirmavam que um dia 13 avós anciãs de tribos diferentes se uniriam para proteger as águas do planeta e todos a ouviriam.

 

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