Anulada eleição da Associação de Moradores da Praia do Canto

Após denúncia no MPES, entidade deverá organizar uma nova votação com prévia publicação de edital

Está anulada a eleição da Associação de Moradores da Praia do Canto (AMPC) que ocorreu no último dia 26 de junho. Naquela ocasião, teria sido eleito o chef de cozinha Carlos Mariano Miranda, mais conhecido como Cassinho Ayres. A decisão por invalidar o pleito partiu da juíza da 1ª Vara Cível de Vitória, Kelly Kiefer, que ordenou que a entidade organize uma nova votação dentro de 30 dias. A magistrada ainda determinou que o edital da eleição seja publicada com, pelo menos, 15 dias de antecedência. Caso a AMPC não cumpra com a ordem, está previsto o pagamento de uma multa que chega a R$ 20 mil. A decisão veio a público nesta segunda-feira (9) quando a sentença foi publicada no Diário de Justiça.

A juíza, atendendo a uma solicitação do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), considerou que o certame ocorrido no final do mês passado possuía muitas falhas. Ela cita a “ausência de prazo para registro de chapas, ausência de prazo para impugnação de candidaturas, desrespeito ao prazo estipulado para as eleições (primeira semana de junho) e, por fim, ausência de data de publicação no edital”.

O pleito anulado ocorreu apenas com uma única chapa, sendo Cassinho Ayres declarado o vencedor numa votação que teve 49 votantes e com muitas desconfianças sobre a lisura do processo eleitoral. Não bastasse todo o embaraço que se tornou a eleição na AMPC, a vitória do presidente eleito trouxe de volta à tona notícias desfavoráveis a Cassinho, como o fato dele ter sido demitido da Assembleia Legislativa (Ales) em 2015 após ele enfrentar uma acusação de desvio de combustível de veículos oficiais da Casa.

O empresário Antônio Carlos Gomes foi quem colocou a ‘boca no trombone’ contra o que ele considerou de irregular no pleito e entrou com uma ação no MPES pedindo a suspensão do escrutínio com os seguintes argumentos: o estatuto da AMPC não teria sido respeitado; o edital para a votação não foi publicado com 15 dias de antecedência, o que teria prejudicado a participação dos moradores no certame; a mesma direção está se perpetuando na disputa; e por ter sido impedido de protocolar uma chapa para que ele pudesse concorrer.

“Devido a toda essa questão, por entender que a AMPC é uma entidade pública e não um clube privado, onde todos os moradores sob sua abrangência têm o direito de se candidatarem é que acionei o MP”, explica Antônio Carlos que ainda disse ao ESTADOCAPIXABA: “O fato de só 49 moradores terem votado é reflexo de uma total desorganização e falta de representatividade da associação de moradores, associada com a falta de publicidade da eleição. A população sente um desgosto e uma desilusão com a atual diretoria. Por isso, esse claro desânimo”, afirmou.

Membros da AMPC garantem que irão recorrer da decisão. E Cassinho Ayres já declarou que, caso houvesse uma nova eleição, ele disputaria novamente.