Nem todos os corpos devem ser resgatados

Operação pode acabar sem que muitos dos 199 desaparecidos sejam localizados em Minas

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais já trabalha com a possibilidade de o trabalho de buscas ser encerrado sem que os corpos dos 199 desaparecidos no rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale sejam localizados. As buscas na lama foram suspensas na manhã de ontem por conta de uma forte chuva que começou domingo.

Segundo a corporação, o temporal poderia colocar as equipes de resgate em risco — a água poderia desestabilizar os rejeitos que permanecem onde ficava a barragem da Vale rompida no último dia 25 e atingir a chamada “zona quente”. Os bombeiros mantiveram as buscas nas margens do Rio Paraopeba. Os trabalhos no lamaçal foram retomados à tarde.

“É uma possibilidade já deslumbrada em situações deste tipo, em que se tem estrutura colapsada e lama, que alguns corpos não sejam encontrados. A gente trabalha o mais rápido possível para encontrar o maior número (de corpos)”, disse o tenente Pedro Aihara, porta-voz do Corpo de Bombeiros.

O oficial explicou ainda que era esperada a redução no número de corpos localizados a cada dia em que as buscas se prolongam:

“Este movimento de redução no número de corpos encontrados já era um movimento esperado, pois nos primeiros dias após o rompimento da barragem os corpos estavam visíveis em níveis superiores da lama. Esta operação é mais fácil no início, tanto para localizar quanto para retirar com mais facilidade”.

Segundo a última atualização das equipes de buscas, 134 corpos foram encontrados, dos quais 120 foram identificados.

A Vale afirmou ontem que a Justiça determinou que a mineradora pare de lançar rejeitos ou pratique qualquer atividade potencialmente capaz de aumentar os riscos em oito barragens em Minas Gerais. A decisão da 22ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte foi baseada em uma ação civil pública do Ministério Público mineiro (MPMG). O processo segue em segredo de Justiça.